What’s Wrong with Secretary Kim: Vale a pena assistir um dos rom-coms mais populares da tvN?
Depois de se consolidar como um dos romances corporativos mais populares da onda de K-dramas de 2018, What’s Wrong with Secretary Kim virou praticamente um “modelo” do gênero: chefe narcisista, secretária impecável, passado misterioso e uma dinâmica de poder que lentamente vira romance.
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A história acompanha Lee Young Joon, vice-presidente de uma grande empresa extremamente egocêntrico e obcecado por controle, e Kim Mi So, sua secretária perfeita que decide pedir demissão após anos trabalhando sem descanso ao seu lado. A decisão dela desestabiliza completamente o mundo dele, e o obriga a confrontar sentimentos que ele nunca soube nomear.
A partir disso, o drama constrói uma narrativa leve, cômica e extremamente focada na química entre os protagonistas, com um mistério do passado servindo como pano de fundo.
E a pergunta é inevitável: isso ainda funciona hoje ou é só hype antigo?
Vamos conversar!
Uma história de ego, passado e um romance que nasce do caos controlado

Lee Young Joon é o tipo de protagonista que domina qualquer ambiente em que entra. Ele é brilhante, rico, confiante e completamente centrado em si mesmo, a ponto de transformar qualquer interação em algo desconfortável ou exageradamente teatral.
Kim Mi So é o oposto perfeito disso. Competente, paciente e extremamente profissional, ela passou anos equilibrando o comportamento absurdo do chefe enquanto colocava sua própria vida em segundo plano.
Quando ela decide sair do emprego, o equilíbrio entre os dois desmorona. O que parecia apenas uma relação de trabalho começa a revelar camadas emocionais mais profundas, ligadas a um passado compartilhado que os dois não compreendem completamente no início.
O drama usa essa estrutura para misturar comédia, romance e um leve mistério emocional, sempre com foco na dinâmica central do casal.
Onde o drama tropeça…

1. Um tom extremamente leve que limita o impacto emocional
O maior traço do drama também é sua maior limitação: ele nunca tenta sair do território confortável da comédia romântica. Isso faz com que situações que poderiam ter peso emocional sejam rapidamente dissolvidas por humor ou leveza excessiva. Em vários momentos, conflitos são introduzidos, mas não permanecem tempo suficiente para gerar impacto real.
2. Um protagonista masculino difícil de aceitar no início
Lee Young Joon é propositalmente exagerado: narcisista, teatral e completamente centrado em si mesmo. O problema é que essa construção pode soar mais irritante do que engraçada no início do drama. Embora exista uma intenção cômica, nem sempre isso funciona para todos os espectadores, especialmente nas primeiras interações com a secretária.
3. Dependência excessiva da química como motor da história
Grande parte do drama depende da interação entre os protagonistas para funcionar. Quando a química está em alta, tudo flui bem. Mas quando a narrativa precisa avançar sem esses momentos, o enredo pode parecer fino ou pouco desenvolvido.
4. Mistério do passado que serve mais como ferramenta do que como profundidade
O elemento do passado entre os personagens existe principalmente para justificar o romance atual. Embora tenha relevância narrativa, ele não é explorado com profundidade suficiente para se tornar realmente emocional ou impactante por conta própria.
O que o drama tem de especial?

1. Uma das químicas mais icônicas dos K-dramas modernos
O ponto mais forte de What’s Wrong with Secretary Kim é, sem dúvida, a química entre Park Seo Joon e Park Min Young. A dinâmica entre os dois sustenta praticamente toda a narrativa. Não importa o quão simples seja a cena, a interação entre eles transforma momentos cotidianos em algo memorável. É o tipo de casal que funciona tanto na comédia quanto no romance, sem precisar de esforço narrativo artificial.
2. Domínio absoluto do tom de comédia romântica
O drama sabe exatamente o que quer ser: leve, divertido e centrado em dinâmica de casal. Ele não tenta se disfarçar de algo mais profundo do que é, e essa clareza de identidade ajuda muito na experiência. As situações exageradas do protagonista masculino, por exemplo, funcionam melhor quando vistas dentro dessa proposta assumidamente cômica.
3. Protagonista feminina forte dentro do gênero
Kim Mi So não é apenas “secretária perfeita” no sentido passivo. Ela é organizada, firme e emocionalmente mais estável que o protagonista masculino em vários momentos. Isso cria um equilíbrio interessante na relação, onde ela não está apenas reagindo, mas também sustentando e guiando a dinâmica.
4. Humor leve que funciona na maior parte do tempo
O drama aposta em humor situacional, exageros comportamentais e interações quase teatrais. Quando funciona, cria momentos muito leves e divertidos, especialmente nas cenas corporativas e nas tentativas do protagonista de entender emoções humanas básicas.
5. Romance direto, sem enrolação excessiva
Apesar dos clichês, o romance avança de forma relativamente rápida dentro do padrão do gênero. Não há grandes prolongamentos desnecessários de tensão romântica, o foco é mais na construção da convivência do casal do que em obstáculos artificiais prolongados.
6. OST e estética que reforçam o clima leve
A trilha sonora e a estética do drama ajudam a manter o tom leve e “brilhante” da narrativa. Tudo é pensado para reforçar a sensação de romance confortável e acessível.
7. Consistência dentro da proposta
Mesmo com limitações narrativas, o drama é consistente no que se propõe a entregar: uma comédia romântica leve, centrada em casal e fácil de assistir. Ele não se desvia disso em nenhum momento, o que pode ser visto como força ou limitação dependendo do espectador.
E o veredito é…
Sendo bem direto: vale a pena assistir What’s Wrong with Secretary Kim.
Não porque ele seja profundo, inovador ou narrativamente complexo, mas porque ele entrega exatamente o que promete: uma comédia romântica leve, extremamente focada na química do casal principal e no entretenimento imediato.
Ele pode ser previsível, pode depender demais da dinâmica central e pode não oferecer grande impacto emocional duradouro, mas dentro do seu gênero ele é extremamente eficiente.
No fim das contas, What’s Wrong with Secretary Kim é menos sobre inovação e mais sobre execução, e nisso, ele acerta muito mais do que erra.