Deep In: vale a pena se entregar a esse romance BL entre ficção e realidade?
Histórias sobre atores que se apaixonam, celebridades que acabam se envolvendo romanticamente ou romances que nascem nos bastidores da indústria do entretenimento definitivamente não são novidade no universo dos BLs. É um tipo de plot que já apareceu diversas vezes e que, dependendo da forma como é desenvolvido, pode acabar caindo facilmente em fórmulas conhecidas.
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Deep In, no entanto, tenta acrescentar uma camada a mais a essa proposta ao colocar seus protagonistas dentro de duas histórias que acontecem simultaneamente: a que eles vivem fora das câmeras e a que estão interpretando diante delas. Será que essa mistura entre o romance dos atores e o filme que eles estão gravando funciona durante toda a história ou, em alguns momentos, acaba tirando espaço justamente do casal que queremos acompanhar?
Vamos conversar!
Uma história dentro de outra história
Deep In acompanha Zhang Zhun, um ator que está passando por uma crise na carreira e decide fazer um teste para o filme Into the Role em busca de uma oportunidade para crescer profissionalmente. No projeto, ele contracena com Zhen Xin, um ator que já alcançou a fama e foi premiado. Dentro do filme, os dois interpretam um médico e um paciente envolvidos em uma relação marcada por desejo e manipulação emocional. Fora das telas, porém, a relação entre os dois também começa a se complicar, principalmente à medida que o comportamento cada vez mais invasivo de Zhen Xin ultrapassa os limites da atuação.
É justamente nessa mistura entre ficção e realidade que Deep In encontra sua principal proposta. Acompanhamos não apenas o envolvimento dos protagonistas fora das telas, mas também a história do filme que eles estão gravando, criando uma espécie de história dentro da história. A produção brinca constantemente com essa separação e faz com que, em alguns momentos, seja difícil distinguir o que pertence aos personagens que eles interpretam e o que está acontecendo de verdade entre os atores.
O que o drama faz bem?

Um dos maiores pontos positivos de Deep In é, sem dúvida, a química entre os protagonistas. Os atores conseguem sustentar muito bem a tensão entre os personagens, principalmente nas cenas em que existe desejo, desconforto ou uma disputa de poder. As cenas são bem executadas nesse sentido e fazem com que seja fácil ficar envolvida no que está acontecendo entre eles.
O BL também prende bastante. Parece que a todo momento existe algum acontecimento funcionando como gancho para deixar quem está assistindo curioso sobre o próximo passo. Mesmo sendo uma história de romance, Deep In consegue assumir em vários momentos um tom mais eletrizante, criando um verdadeiro emaranhado de emoções. Existe sempre uma sensação de que alguma coisa pode sair do controle, e isso ajuda bastante a manter o interesse.
Também achei interessante a possibilidade de conhecer um pouco dos bastidores do mundo da atuação. A crise profissional de Zhang Zhun e a experiência de Zhen Xin como uma ator que alcançou a fama muito cedo dão outras camadas aos personagens, além de permitirem que o drama explore como a atuação pode começar a interferir na vida pessoal quando os limites entre interpretar e sentir ficam confusos.
Falando em atuação, os dois atores fazem um bom trabalho e conseguem sustentar a proposta da história. A trilha sonora também funciona bem e contribui para a atmosfera, principalmente nos momentos em que o drama quer criar mais tensão ou intensidade.
Onde o drama tropeça…

Apesar de a ideia de acompanhar duas histórias ao mesmo tempo ser interessante, não acho que Deep In consiga equilibrar perfeitamente os dois lados em todos os momentos. Em algumas partes, acompanhar o filme dentro do filme acabou ficando cansativo para mim. Principalmente porque, quando eu estava mais interessada no relacionamento dos protagonistas fora das telas, a história voltava para a produção que eles estavam gravando e eu ficava querendo simplesmente voltar para o casal.
É algo que provavelmente varia de pessoa para pessoa, porque justamente essa mistura entre ficção e realidade é uma das propostas centrais do BL. Mas, para mim, em alguns momentos essa divisão prejudicou um pouco o ritmo.
Outro ponto importante são as abordagens problemáticas presentes tanto na história do filme quanto na construção do relacionamento dos protagonistas fora das telas. Deep In assume uma abordagem mais dark em determinados momentos, trabalhando com situações de manipulação, traição, assédio, agressão sexual, invasão de limites e dinâmicas que podem ser extremamente desconfortáveis de assistir. E, particularmente, esse tipo de dinâmica não funciona muito bem para mim. Não é apenas uma questão de não gostar desse tipo de romance, mas também de achar importante que determinadas atitudes problemáticas não sejam tratadas como algo naturalmente romântico.
A reta final também é apressada. Esse é um problema bastante comum em dramas que precisam resolver muitas coisas nos últimos episódios, e aqui alguns pontos acabam sendo deixados para a última hora ou resolvidos rapidamente demais. Depois de uma história que passou tanto tempo construindo tensão e levantando questões, eu esperava que o encerramento tivesse mais espaço para desenvolver e resolver esses conflitos, mas tudo termina raso e apressado.
E o veredito é…

Deep In é um BL que consegue prender bastante e que tem como grande força a química entre seus protagonistas. A proposta de acompanhar uma história dentro de outra também é interessante e cria uma dinâmica diferente, principalmente para quem gosta de narrativas em que ficção e realidade começam a se misturar.
Ao mesmo tempo, a produção nem sempre consegue equilibrar bem as duas histórias, e algumas das dinâmicas mais dark podem ser desconfortáveis, principalmente para quem não gosta de romances que trabalham com comportamentos invasivos ou relações mais problemáticas. A reta final também poderia ter sido melhor desenvolvida.
Ainda assim, talvez valha a pena conferir Deep In se você está ciente da construção problemática do relacionamento dos personagens, se tiver um olhar crítico e, principalmente, entender que não é uma história para todo mundo e muito menos que deva ser romantizada, mas que prende e pode gerar entretenimento. No geral, sempre recomendo algo mais saudável e mais bem construído.
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