Vale a pena assistir o c-drama Love is Sweet?

Vale a pena assistir o c-drama Love is Sweet?

Depois de anos acompanhando os clichês consolidados de CEOs frios e romances de escritório, em 2020 o público foi fisgado por mais um, Love is Sweet. A promessa era entregar um romance maduro, com beijos reais e uma química que saltava da tela.

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O drama despertou curiosidade imediata ao reunir dois conhecidos nomes da China: Luo Yun Xi (Leo Lu) e Bai Lu. A expectativa era alta para ver se essa parceria conseguiria elevar uma trama clichê a algo memorável. Mas fica a pergunta: será que o drama sustentou seu fôlego até o final ou se tornou apenas mais uma comédia romântica genérica e arrastada?

Vamos conversar!

Uma história de lobos, ovelhas e reencontros

Jiang Jun é uma mulher determinada e emocionalmente sensível que decide entrar no MH, um dos maiores bancos de investimento. Lá, ela reencontra Yuan Shuai, seu amigo de infância que costumava “protegê-la” através de provocações. Agora, ele é seu chefe implacável e tenta impedir sua contratação alegando que ela é uma “ovelha em um mercado de lobos”. Entre intrigas corporativas e o despertar de sentimentos antigos, Jiang Jun luta para provar seu valor profissional enquanto descobre que as intenções de Yuan Shuai são muito mais profundas (e românticas) do que parecem.

Onde o drama tropeça…

1. A romantização de comportamentos tóxicos

Um dos pontos mais problemáticos da obra para mim é a forma como o roteiro tenta vender o comportamento abusivo de Yuan Shuai como “amor protetor”. O protagonista utiliza sua posição de poder para intimidar, sabotar e diminuir a competência de Jiang Jun, mascarando isso sob a desculpa de que está cuidando da saúde dela. Essa dinâmica de “bullying por afeto” é um clichê perigoso que retira a autonomia da protagonista e reforça a ideia de que o controle é uma prova de amor, o que pode gerar um desconforto genuíno.

2. O eclipse da protagonista feminina

Conforme o dorama avança, Jiang Jun perde substância e agência. Ela começa como uma profissional talentosa, mas acaba sendo reduzida a alguém que apenas reage às ações de Yuan Shuai. O foco narrativo torna-se tão centrado nele, em seus sacrifícios, em seus planos mirabolantes e em seu sofrimento “secreto”, que ela passa de sujeito da própria história a um mero acessório do romance dele.]

É o clássico caso onde a “mulher forte” é deixada de lado para que o público foque exclusivamente no “CEO genial”. O que começou como a jornada de uma mulher tentando conquistar seu espaço no mercado financeiro acabou se tornando um palco exclusivo para o protagonista masculino. Ele se tornou o centro gravitacional de todas as cenas, deixando a protagonista em uma posição de passividade.

3. Vilões unidimensionais e motivações rasas

Os antagonistas sofrem com a falta de profundidade. Du Lei, que poderia ter sido um rival complexo, é transformado em um personagem detestável e agressivo sem uma transição convincente. [spoiler a seguir] A existência de Du Lei nos episódios finais serve apenas como a “última pedra no caminho” dos protagonistas. Ele se torna o receptáculo de todos os clichês de vilões de dramas antigos: a obsessão doentia e o uso de táticas baixas para separar o casal [ fim do spoiler]. O pior é que, após ser transformado em um personagem detestável, o roteiro tenta sugerir uma redenção rápida e superficial que não convence. O tempo gasto com seus esquemas repetitivos poderia ter sido usado para dar profundidade aos personagens secundários ou para fechar melhor as pontas soltas da história do pai de Jiang Jun. Já as “rivais” femininas seguem o velho estereótipo de mulheres que não aceitam o “não” e agem de forma infantil, o que empobrece a narrativa e desperdiça o potencial de termos discussões mais interessantes sobre competição profissional e ética.

4. O casal secundário sem brilho e irritante

Se um casal secundário forte pode salvar um drama, aqui ele quase o afunda. A história de Xu Li e Li Xiao Chuan é unidimensional e ocupa um tempo de tela precioso. A personagem feminina, que começa interessante, é reduzida a uma perseguidora obsessiva, tornando as cenas dos dois tediosas a ponto de o botão de “avançar” se tornar indispensável para muitos.

5.Estiramento desnecessário e tramas de “mau gosto”

O C-drama poderia ter sido encerrado no episódio 30 ou 32. No entanto, foi esticada até o 36, forçando conflitos desnecessários, términos “nobres” e uma queda de ritmo que cansa quem assiste. O final, para alguns, beira o brega, deixando um gosto agridoce após tanto investimento emocional. Por exemplo, a condição de Jiang Jun (alergia a lágrimas), que deveria ser central, é esquecida pelo roteiro nos momentos cruciais de emoção na reta final. Tudo isso gera uma sensação de que o roteiro tropeçou em si mesmo para chegar ao fim.

6. O mundo corporativo entediante e fantasioso

Embora se passe em um banco de investimentos, as partes de negócios são rasas e extremamente entediantes. As tramas de escritório são preenchidas com sabotagens infantis e resoluções mágicas que ignoram a lógica. Para quem espera um drama instigante, o aspecto “trabalho” serve apenas como um enchimento cansativo que faz o espectador querer usar o botão de avançar.

O que Love is Sweet tem de especial?

1. A química celestial de Leo Luo e Bai Lu

É impossível falar de Love is Sweet sem exaltar a química. Isso que me fez continuar no drama até o final, não o roteiro. O casal entrega uma das melhores químicas da história dos C-dramas e não à toa já estão caminhando hoje em dia para o seu terceiro projeto atuando juntos. Eles realmente capturam a essência de um casal apaixonado de forma refrescante.

Eles se tocam, se abraçam e se beijam com uma naturalidade que faz o espectador acreditar que realmente dividem uma vida. Diferente de outros pares que parecem desconfortáveis em cenas mais românticas, Bai Lu e Leo Luo se entregam totalmente. Seja em cenas fofas de “felicidade doméstica” ou em momentos mais sensuais, a falta de hesitação faz com que a química seja explosiva.

2. O entrosamento cômico

Um dos grandes trunfos é o humor ácido entre os protagonistas. Leo Luo e Bai Lu possuem um ritmo impecável: ele brilha com reações de choque e gritos inesperados, fugindo do CEO robótico, enquanto ela domina o deboche e o sarcasmo. Essa “dança” cômica transforma as discussões em momentos de pura diversão, trazendo uma leveza orgânica que nasce da cumplicidade genuína entre os atores.

3. A jornada de superação pessoal

Apesar dos problemas de roteiro já citados, a persistência inicial de Jiang Jun em um ambiente hostil ainda é inspiradora. O drama aborda a resiliência de uma forma leve: ela não desiste diante das humilhações e usa sua inteligência (e sensibilidade emocional) para encontrar aliados. Ver a protagonista transformar sua “fraqueza” (a sensibilidade) em uma ferramenta para entender as pessoas e vencer desafios profissionais traz uma mensagem positiva sobre manter a própria essência mesmo em mercados competitivos.

4. Estética visual e figurino

O drama é um verdadeiro banquete visual. A produção não economizou na sofisticação: desde a cinematografia polida em cenários luxuosos até o figurino impecável. As roupas de Bai Lu e Leo Luo são referências de moda executiva moderna, ajudando a construir a aura de poder e elegância dos personagens. Ver os protagonistas em cena é, por si só, uma experiência esteticamente prazerosa que eleva o nível da produção.

E o veredito é…

Não vale a pena. Embora a química entre Leo Luo e Bai Lu seja de tirar o fôlego, ela não é suficiente para salvar um roteiro problemático e um ambiente de negócios tão entediante. Hoje em dia, existem dramas de escritório muito melhores, que representam o ambiente profissional de forma mais interessante e, principalmente, mostram relacionamentos muito mais saudáveis e equilibrados.

Love is Sweet só vale o seu tempo se você for muito fã dos atores ou se o seu único interesse for ver cenas de beijo e química explosiva, ignorando todo o resto. Se você busca uma história com uma protagonista que mantenha sua força e um romance sem sinais de toxicidade, é melhor procurar outras opções no gênero.

Love Is Sweet está disponível no iQIYI!

Brenda Mendes

Historiadora, professora e criadora de conteúdo digital, está sempre em busca de uma nova história para desbravar e aquecer seu coração, apaixonada por doramas de romance e slice of life, é uma leitora ávida há mais de 10 anos.

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