Record of Youth: Vale a pena assistir em 2026?

Record of Youth: Vale a pena assistir em 2026?

Quando Record of Youth estreou em 2020, parecia capturar o coração de uma geração que sonhava alto, mas vivia sob o peso da realidade. Em meio a uma pandemia, onde os dramas estavam apostando mais em fantasias e grandes reviravoltas, o drama se destacou justamente por ser o oposto: pé no chão, introspectivo e emocionalmente honesto. Com Park Bo Gum, Park So Dam e Byeon Woo Seok no elenco, o drama prometia, e entregou, uma reflexão sensível sobre juventude, sucesso e autenticidade.

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Seis anos depois, em 2026, o cenário do k-drama mudou muito e as produções estão mais ousadas, cinematográficas e psicológicas. Mas será que Record of Youth ainda tem um espaço dentro desse mundo?

Vamos conversar!

Um espelho da juventude moderna

Mais do que uma história de amor ou ascensão profissional, Record of Youth é um retrato da geração que cresceu acreditando que talento e esforço seriam suficientes, e que descobriu, na prática, que o mundo real não funciona assim.

Sa Hye Jun (Park Bo Gum) é um jovem de origem humilde que tenta romper as barreiras da classe social e conquistar espaço como ator. Ele é talentoso, dedicado e íntegro, mas vive constantemente à sombra de privilégios que não tem. Já Ahn Jung Ha (Park So Dam) é uma maquiadora que escolheu trilhar seu caminho com independência, enfrentando o preconceito de quem duvida da escolha de uma mulher em construir carreira fora dos moldes tradicionais.

O que une os dois não é apenas o afeto, mas a solidão, aquela que vem de tentar se afirmar em um mundo que mede valor por status e visibilidade. O drama não romantiza a juventude, mostra os seus medos, suas pequenas derrotas e o esforço quase invisível de seguir em frente quando nada parece funcionar.

Em tempos em que os jovens vivem sob a pressão das redes sociais, da comparação constante e da busca por validação, Record of Youth soa quase terapêutico. É uma história sobre como o sucesso pode ser solitário, sobre como a autenticidade pode custar caro e sobre como amadurecer é, muitas vezes, aprender a abrir mão de quem queríamos ser para descobrir quem realmente somos.

Onde o drama tropeça…

1. Romance promissor, mas mal direcionado

O problema do casal principal não foi falta de química (porque isso tinham de sobra), mas sim a maneira como o roteiro tratou a relação. O romance entre Sa Hye Jun e Ahn Jung Ha começou com frescor, mas aos poucos passou a servir apenas como suporte ao arco do protagonista. Jung Ha perdeu autonomia, e momentos que poderiam explorar a força do casal foram desperdiçados. O resultado? Uma trama amorosa que não sustentou emoção nem evolução real.

2. Arco de Ahn Jung Ha que começa forte, mas perde força

Nos primeiros episódios, Jung Ha é uma das figuras mais cativantes: independente, segura, realista e emocionalmente madura. Ela representa a mulher moderna que se constrói com as próprias mãos. Porém, conforme a história avança, a personagem é gradualmente enfraquecida, suas decisões se tornam passivas, seu espaço diminui e sua trajetória pessoal é colocada para escanteio. O brilho que antes vinha de sua autenticidade dá lugar a uma presença apagada, quase coadjuvante dentro da própria narrativa. 

3. Personagens secundários relegados ao segundo plano

O drama se vendeu como um retrato coral da juventude, mas rapidamente virou “a história de Hye Jun e o resto quando sobra tempo”. Personagens como Jin Woo e até mesmo Jung Ha (como já mencionado) foram subaproveitados, com histórias que começaram interessantes, mas ficaram pela metade. Essa falta de equilíbrio enfraqueceu o impacto geral e deixou arcos promissores sem o peso dramático que mereciam.

4. Subtramas abandonadas

Do conflito familiar às intrigas da indústria, várias linhas narrativas foram deixadas de lado ou encerradas de forma apressada. Era evidente que o drama queria (e precisava) abordar muitos temas, mas faltou fôlego para desenvolver tudo. O final tentou ser poético, mas deixou a sensação de que a produção mordeu mais do que podia mastigar.

5. Segunda metade arrastada

Se a primeira parte conseguiu manter o interesse com novidades e construção de mundo, a segunda metade perdeu energia. As situações começaram a se repetir, o drama se concentrou demais em um único núcleo e a narrativa perdeu tensão. Ao chegar ao último episódio, muitos espectadores já assistiam mais por costume do que por expectativa.

O que o drama tem de especial?

1. Um retrato emocionalmente honesto da juventude

Poucos dramas conseguiram traduzir tão bem o sentimento de exaustão e esperança que define uma geração. Em 2025, esse tema continua atual: jovens ainda lidam com expectativas familiares, insegurança profissional e o medo de não “chegar lá”.

2. Atuação impecável de Park Bo Gum

Hye Jun é um protagonista complexo, dividido entre humildade e ambição. Park Bo Gum interpreta essa dualidade com uma naturalidade impressionante, transmitindo força e fragilidade ao mesmo tempo. É uma de suas performances mais maduras.

3. Trilha sonora e fotografia que emocionam

Com uma paleta de cores suave e uma trilha introspectiva, Record of Youth é visualmente encantador. Cada cena parece pensada para transmitir calma e melancolia, criando uma atmosfera de contemplação que o diferencia de outras produções da época.

5. Reflexões atemporais sobre autenticidade e sucesso

Em uma era dominada por redes sociais e “vidas de vitrine”, Record of Youthfala sobre o preço de se expor e sobre o quanto é difícil manter a essência em meio às expectativas dos outros. Essa crítica, que em 2020 parecia uma previsão, soa ainda mais pertinente em 2025.

E o veredito é…

Apesar das falhas estruturais e do ritmo irregular, Record of Youth continua sendo um drama relevante e, de certa forma, necessário. Sua força está na sinceridade, na delicadeza e na capacidade de traduzir emoções cotidianas que continuam ecoando mesmo anos depois.

É um drama que pede paciência, mas recompensa com empatia. Não entrega grandes reviravoltas, mas oferece algo mais raro: identificação. Em 2026, quando tantos k-dramas apostam em fórmulas mirabolantes, Record of Youth segue como uma história humana e próxima, que fala sobre quem somos quando o mundo não olha.

Então sim, ainda vale a pena assistir, mas sem levar a expectativa do romance. Não porque é perfeito, mas porque continua verdadeiro.

Record of Youth está disponível na Netflix!

Alice Rodrigues

Estudante de Comunicação social – Jornalismo, e atuando como social media, criadora de conteúdo digital e assessora de imprensa. Além de amar conhecer novas culturas, é viciada em ler e ouvir inúmeros podcast de assuntos variados. Dorameira desde de 2016, adora acompanhar e analisar narrativas e conteúdos que fazem parte da criação de um drama (elenco, filtros usados, fotografia, simbologia das cenas e outros).

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