Vale a pena assistir Do You Like Brahms?

Vale a pena assistir Do You Like Brahms?

Sim! Do You Like Brahms? é um daqueles k-dramas que conseguem tocar nossas emoções por meio da simplicidade, da sensibilidade e da maneira como desenvolvem os sentimentos dos personagens. A história acompanha Park Joon Young (Kim Min Jae), um pianista talentoso e famoso, e Chae Song Ah (Park Eun Bin), uma violinista esforçada que, apesar de amar profundamente a música, enfrenta dificuldades para se destacar nesse universo. Quando seus caminhos se cruzam, os dois começam a construir uma relação marcada pela identificação, pelo acolhimento e por sentimentos que nem sempre conseguem compreender ou expressar.

A princípio, a história pode parecer apenas um romance fofo entre um pianista e uma violinista, com alguns triângulos amorosos e desentendimentos pelo caminho. No entanto, Do You Like Brahms? vai muito além disso ao explorar as dificuldades de jovens que tentam encontrar seu lugar no mundo, seja na música, no amor ou nas próprias escolhas. O drama fala sobre sonhos, inseguranças, cobranças, amadurecimento e, principalmente, sobre a coragem necessária para enfrentar aquilo que nos prende, mesmo quando essas prisões são construídas pelos nossos próprios medos.

A música clássica é uma parte fundamental dessa experiência. Ela não está presente apenas nas apresentações dos personagens, mas também na maneira como suas histórias são construídas. O talento, a vocação, as cobranças familiares e as dificuldades de seguir uma carreira artística atravessam a narrativa e ajudam a compreender as diferentes formas como cada personagem se relaciona com a música. Até os títulos dos episódios estabelecem uma relação interessante com expressões e elementos desse universo, dialogando com os acontecimentos e os sentimentos apresentados em cada parte da história. E, claro, a trilha sonora contribui para intensificar as emoções, tornando determinados momentos ainda mais sensíveis.

Uma das questões mais interessantes do drama está na maneira como aborda o peso de ter ou não ter talento. Song Ah começou a estudar violino mais tarde do que os outros estudantes e, mesmo se esforçando muito, precisa conviver com a percepção de que não possui o potencial necessário para se tornar uma grande violinista. Ela ama o que faz, mas esse amor nem sempre é suficiente para afastar as palavras negativas que escuta da família, dos professores e dos colegas. Aos poucos, a personagem nos faz refletir sobre o quanto é difícil perseguir um sonho quando as pessoas ao nosso redor parecem duvidar da nossa capacidade de realizá-lo.

Com Song Ah, pensamos sobre o esforço e os limites, sobre o desejo de continuar tentando e o medo de estar insistindo em algo que talvez não aconteça da maneira como imaginamos. Afinal, até que ponto devemos persistir em nossos sonhos? Quando continuar tentando é um ato de coragem e quando precisamos reconhecer que talvez seja hora de mudar de caminho? São questões difíceis, porque nem sempre sabemos diferenciar o momento de desistir de algo que nos faz sofrer do momento de enfrentar as dificuldades que fazem parte de qualquer processo. E existe também a dor de amar profundamente alguma coisa sem conseguir alcançar aquilo que desejamos por meio dela.

Song Ah nos faz pensar, ainda, sobre o hábito de nos compararmos com outras pessoas e sobre como essa comparação pode transformar algo que amamos em uma fonte constante de sofrimento. Quando estamos sempre olhando para o que os outros conseguem fazer, nossos próprios esforços parecem pequenos, nossas conquistas perdem o valor e passamos a enxergar nossas limitações como se elas definissem tudo aquilo que somos. A personagem precisa aprender a reconhecer seus desejos, compreender seus limites e encontrar coragem para fazer escolhas que nem sempre serão compreendidas por quem está ao seu redor. Nesse processo, existe uma reflexão importante sobre a necessidade de nos posicionarmos, de sermos sinceros conosco e de entendermos que reconhecer nossas limitações não significa, necessariamente, reconhecer uma derrota.

Joon Young, por outro lado, é um pianista talentoso que conquistou reconhecimento, mas não encontra na música a mesma felicidade que outras pessoas parecem encontrar. Para ele, tocar piano está profundamente relacionado às obrigações, às expectativas familiares e às responsabilidades que carrega desde muito jovem. Aquilo que para muitos representa liberdade e expressão acaba se tornando uma prisão. Sua música pode ser tecnicamente perfeita, mas isso não significa que ele consiga expressar livremente suas emoções ou encontrar satisfação naquilo que faz.

Por meio de Joon Young, o drama nos faz refletir sobre o peso de viver para corresponder às expectativas dos outros. Quantas vezes continuamos em determinado caminho porque as pessoas esperam isso de nós? Quantas vezes confundimos o reconhecimento com a felicidade, acreditando que alcançar aquilo que todos consideram uma conquista deveria ser suficiente para nos sentirmos realizados? Joon Young tem talento, recebe elogios e construiu uma carreira admirável, mas tudo isso não impede que se sinta solitário e preso a uma vida que nem sempre escolheu verdadeiramente.

Existe uma tristeza particular em conquistar aquilo que deveria nos fazer felizes e descobrir que ainda falta alguma coisa. E é justamente por isso que sua trajetória se torna tão interessante. O personagem precisa aprender que não basta cumprir suas obrigações, fazer tudo corretamente e corresponder às expectativas alheias. Também é necessário reconhecer os próprios sentimentos, compreender seus desejos e encontrar maneiras de expressá-los. A liberdade que ele procura não está apenas na música, mas também na possibilidade de tomar decisões sobre a própria vida, mesmo quando isso significa decepcionar alguém ou abandonar hábitos que pareciam impossíveis de mudar.

É nesse encontro entre duas pessoas tão diferentes, mas que compartilham tantas inseguranças, que o romance ganha força. Song Ah e Joon Young encontram um no outro uma forma de consolo que já não conseguem encontrar da mesma maneira na música. A aproximação dos dois acontece lentamente, por meio de pequenos gestos, olhares, conversas e silêncios que demonstram o quanto a presença de alguém pode fazer diferença quando estamos atravessando momentos difíceis. É um romance doce, delicado e acolhedor, que não depende apenas de grandes declarações para demonstrar o que existe entre os protagonistas.

O mais bonito é perceber como eles passam a encontrar felicidade em momentos simples, como se, ao lado um do outro, pudessem descansar um pouco das cobranças que enfrentam individualmente. Isso não significa que o amor seja capaz de resolver todos os problemas ou de apagar as inseguranças que carregam. Pelo contrário, o drama mostra que mesmo quando encontramos alguém que nos compreende, ainda precisamos enfrentar nossos próprios medos e aprender a lidar com aquilo que sentimos. Amar alguém não nos torna imediatamente mais corajosos, não elimina nossas dificuldades de comunicação e nem nos impede de cometer erros.

Por isso, a trajetória dos dois também pode provocar frustração. A falta de comunicação entre os personagens e alguns conflitos que se prolongam podem irritar o telespectador, principalmente quando parece que uma conversa sincera seria suficiente para evitar tanto sofrimento. Em certos momentos, as dificuldades internas dos protagonistas acabam tornando a narrativa mais lenta, o que pode deixar a experiência um pouco mais maçante para quem não se interessa tanto pelos dilemas emocionais complexos que cada personagem enfrenta. A história exige paciência para acompanhar sentimentos que nem sempre são expressos diretamente e conflitos que precisam de tempo para encontrar uma resolução.

Entretanto, acredito que essa característica também está relacionada à proposta do drama. Nem sempre as pessoas conseguem dizer aquilo que sentem, reconhecer o que precisam mudar ou tomar decisões mesmo quando sabem que determinada situação está lhes fazendo mal. Às vezes, o medo de magoar alguém, de ser rejeitado ou de enfrentar as consequências de uma escolha acaba nos mantendo presos a situações que poderiam ser diferentes. Isso não significa que todos os conflitos sejam igualmente necessários ou que a falta de comunicação deixe de ser frustrante, mas ajuda a compreender por que os personagens encontram tanta dificuldade para seguir em frente.

Além disso, os personagens secundários também contribuem para ampliar as reflexões da história. Suas experiências ajudam a desenvolver questões relacionadas à amizade, à inveja, à dependência emocional, ao amor não correspondido e às cobranças familiares e profissionais. As relações apresentadas demonstram que nem sempre é fácil distinguir o amor da dependência, assim como nem sempre conseguimos aceitar que os sentimentos de outra pessoa não correspondem aos nossos. Embora eu gostaria que alguns personagens secundários tivessem sido mais bem desenvolvidos, reconheço que a narrativa concentra seus esforços na trajetória de Song Ah e Joon Young, e é principalmente por meio deles que suas questões mais importantes são trabalhadas.

No fim, acredito que Do You Like Brahms? é uma história sobre aprender a viver a própria vida. Sobre compreender que nossos sonhos podem mudar, que nossos limites não precisam ser motivo de vergonha e que nem sempre precisamos continuar seguindo um caminho apenas porque já investimos muito tempo nele. Também é sobre reconhecer o peso das nossas escolhas, aprender a expressar o que sentimos e entender que amadurecer exige coragem para abandonar algumas certezas, enfrentar nossos medos e recomeçar quando necessário.

A trajetória de Song Ah e Joon Young nos lembra que a felicidade não está necessariamente em ser o melhor, conquistar reconhecimento ou conseguir tudo aquilo que desejamos. Às vezes, ela começa quando deixamos de medir nosso valor pelas expectativas dos outros e passamos a compreender o que realmente queremos para nós mesmos. E, embora esse processo possa ser doloroso, é possível encontrar pessoas que nos ajudem a atravessá-lo, não porque tenham todas as respostas ou possam resolver nossos problemas, mas porque sua presença nos oferece acolhimento enquanto aprendemos a caminhar com nossas próprias pernas.

Eu recomendo Do You Like Brahms? especialmente para quem gosta de romances construídos gradualmente, personagens complexos e histórias que encontram espaço para refletir sobre os sentimentos e as dificuldades da vida. Afinal, crescer, amadurecer e aprender a ser feliz são processos que exigem tempo. Nem sempre conseguiremos avançar na velocidade que gostaríamos, mas até mesmo um pequeno passo pode representar uma grande mudança quando finalmente encontramos coragem para dá-lo.

O drama está disponível no Viki e na Netflix.

Brenda Mendes

Historiadora, professora e criadora de conteúdo digital, está sempre em busca de uma nova história para desbravar e aquecer seu coração, apaixonada por doramas de romance e slice of life, é uma leitora ávida há mais de 10 anos.

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