Good Boy: Vale a pena assistir um dos queridinhos de 2025?
Depois do sucesso estrondoso de When Life Gives You Tangerines, que marcou o retorno de Park Bo Gum às telas após o alistamento militar, o público elevou ainda mais as expectativas enquanto aguardava o lançamento de Good Boy.
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2025 pareceu ser o ano dos acertos para Park Bo Gum, e Good Boy reforçava essa sensação desde o anúncio do elenco, ao lado do ator estavam nomes de peso como Kim So Hyun, Lee Sang Yi, Oh Jung Se, Heo Sung Tae e Tae Won Seok, formando um time que prometia química, tensão e performances sólidas. Mas fica a pergunta que pairou no ar desde o início: será que Good Boy entregou tudo aquilo que o público imaginava ou a expectativa falou mais alto do que a própria história?
Vamos conversar!
Uma história de um azarão e sua trupe

Yoon Dong Ju, é um ex-campeão olímpico de boxe que largou o ringue para vestir a farda, o universo parece conspirar para mostrar que medalha alguma garante respeito no mundo real. Ele e outros “heróis do pódio”, como Ji Han Na (a ex-tiro olímpica) e Kim Jong Hyeon (esgrimista), entram para uma força-tarefa policial que exige muito mais do que força física: exige ética, sagacidade e acreditar que ainda se pode mudar algo.
Em meio a perseguições, lutas, corrupção enraizada e companheirismo improvável, eles descobrem que o distintivo pesa tanto quanto o peso das medalhas, talvez mais. A pergunta que dirige tudo: será que o “azarão” de ontem pode se tornar o herói que este mundo real espera?
Onde o drama tropeça…

1. O ciclo repetitivo de “apanha e levanta”
A narrativa caiu em um looping cansativo onde o protagonista Yoon Dong Ju luta contra a injustiça, apanha brutalmente até ficar desfigurado, chora, se recupera milagrosamente e repete o processo no episódio seguinte. Essa repetição tirou o impacto das cenas de ação e fez com que a história, que poderia ter sido resolvida em 12 episódios, se arrastasse desnecessariamente por 16. Isso faz com que o espectador perca o interesse porque tudo se torna previsível, repetitivo e cansativo.
2. Falta de realismo e “proteção de roteiro” exagerada
Embora a premissa fosse policial, a série abandonou o pé no chão. Ver o protagonista sobreviver a atropelamentos, esfaqueamentos e espancamentos brutais sem sequelas reais testou a credibilidade do público. Além disso, a inteligência dos personagens foi sacrificada: “detetives” que entram em missões sem plano B ou reforços, dependendo apenas da conveniência do roteiro para sobreviver. A trama policial simplesmente não conseguia me convencer, acho que ela pode funcionar com quem não está acostumado com dramas policiais cômicos ou para quem não viu muitos, mas ao comparar com outros do gênero, muitos pontos ficam aquém e não são atrativos o suficiente. Por exemplo, personagens que deveriam ser policiais treinados agiam de forma impulsiva e imatura, como o protagonista fugindo de hospitais em estado crítico ou correndo a pé em emergências quando havia carros disponíveis. Essas falhas de bom senso transformaram o que deveria ser um suspense policial inteligente em uma sucessão de eventos movidos apenas pela teimosia dos personagens.
3. Desperdício do potencial da equipe (Os Vingadores Olímpicos)
O grande atrativo era ver uma “força-tarefa de ex-atletas” usando suas habilidades específicas (boxe, esgrima, tiro, etc.) na polícia. No entanto, o drama focou excessivamente em Dong Ju, deixando os outros membros da equipe como meros figurantes de luxo. Suas histórias individuais e talentos foram pouco exploradas, transformando o que deveria ser um “trabalho em grupo” em um show de um homem só. Diria que até mesmo a história de fundo de Dong Ju ficou superficial, pois, em muitos momentos, senti que faltava liga emocional. São muitos personagens e pontos para dar conta e o enredo não consegue se aprofundar em nenhum deles.
4.Vilão subaproveitado e inconsistente
Apesar da atuação brilhante de Oh Jung Se, o roteiro falhou com o antagonista. Ele foi apresentado como implacável e perigoso, mas frequentemente recuava em momentos onde poderia ter vencido, apenas para que o drama continuasse. Além disso, a subtrama política que o envolvia permaneceu superficial, sendo usada apenas como uma “alavanca dramática” conveniente quando a trama precisava de peso. Durante muitos momentos, o vilão não exerceu sobre mim a impressão que ele representava uma ameaça real, mas sim como um ponto cansativo, já que a história não conseguia criar tensão suficiente ao redor dele.
5. Segunda metade arrastada e final apressado
Após um início promissor, o ritmo se perdeu. As transições entre conflitos ficaram bruscas e cheias de lacunas. Ao chegar nos episódios finais, os roteiristas correram para inserir reviravoltas e encerrar o caso que vinha se arrastando desde o começo, resultando em um desfecho que, embora “decente”, deixou um gosto agridoce de potencial desperdiçado.
6. Tons narrativos conflitantes (A “Vertigem de Gêneros”)
O drama tentou abraçar muitos gêneros ao mesmo tempo: ação intensa, comédia pastelão, romance juvenil, corrupção política e drama. Essa mistura resultou em mudanças de tom bruscas e desconfortáveis: em um minuto tínhamos uma cena de tortura ou violência gráfica e, no seguinte, um momento cômico constrangedor que parecia pertencer a outra série. Essa falta de identidade clara me impediu de me conectar profundamente com a proposta da obra.
7. Subtramas de saúde e trauma tratadas de forma superficial
O drama introduziu temas pesados, como os traumas físicos e mentais dos ex-atletas e a piora na saúde de Dong Ju. No entanto, em vez de explorar isso com profundidade emocional, o roteiro usou essas condições apenas para gerar drama momentâneo. A recusa do protagonista em buscar tratamento médico, mesmo em estado crítico, foi usada como um artifício para mostrar “resiliência”, mas acabou soando apenas como teimosia irritante, desperdiçando a chance de uma narrativa mais introspectiva.
O que o drama tem de especial?

1. A premissa única dos “Vingadores Olímpicos”
O conceito de recrutar ex-atletas medalhistas para uma força-tarefa policial é, sem dúvida, o grande diferencial deste drama. Ver essa equipe de desajustados tentando adaptar seus instintos competitivos ao mundo do crime traz um frescor necessário ao gênero policial. Quando a dinâmica funciona, ela entrega uma mistura cativante de caos e comédia.
2. Atuação impecável de Park Bo Gum
Neste papel, Park Bo Gum se despe da imagem de “bom moço” tradicional para encarnar Yoon Dong Ju, um espírito livre marcado pelos traumas da vida. O ator arrisca ao se transformar em um personagem que rompe com a imagem impecável (sempre arrumada), já que está sempre machucado ou sujo, ou tentando cenas de ações difíceis e desafiadoras, é uma atuação de Bo Gum que nunca assistimos em cena. Ele entrega uma performance madura, incorporando cada nuance de um personagem que, apesar de apanhar constantemente do destino, se levanta com uma esperança destemida e uma bondade genuína. Ele deu à história uma alma que o roteiro, sozinho, não seria capaz de sustentar.
3. Atuação ótima do elenco em si
Não apenas Bo Gum, mas o resto do elenco também entrega ótimas performances e química, como Lee Sang Yi que impressiona no papel de um esgrimista que agora integra a polícia mostrando um charme e presença únicos; Kim So Hyun que executa cenas de ação com precisão e força marcantes como uma atiradora; e Oh Jung Se, que interpreta um homem aparentemente comum, um funcionário público da alfândega, mas que detém um poder silencioso e aterrador. Sua capacidade de ser ameaçador apenas com expressões faciais e uma presença fria é admirável.
5. Valor de produção e cinematografia de alto nível
Com um orçamento generoso, o drama é visualmente impecável. A produção aposta em um formalismo que utiliza iluminação, edição e trilha sonora (OST) de forma criativa para manter o espectador preso à tela. Cenas como a luta sob luzes néon e a perseguição de parkour no episódio 4 mostram uma direção técnica inspirada, entregando sequências de ação que são verdadeiros espetáculos visuais.
5. A lealdade das amizades
Um dos pontos altos da narrativa é a construção dos laços entre os personagens. A amizade entre Dong Ju e Jong Hyeong, que evolui de uma rivalidade para uma parceria leal, é emocionante de acompanhar. As brigas da equipe, suas reconciliações, cenas de perseguição e diversão mostra a preciosidade do laço que vai sendo construído e que o espectador pode acompanhar.
5. Momentos de ação feminina inspiradores
Embora criticada por muitos, a protagonista Han Na teve momentos de brilho absoluto, especialmente nos episódios 13 e 14. Ver uma personagem feminina ser retratada como uma verdadeira “durona” em sequências de ação de uma hora inteira foi recompensador. Esses momentos serviram para elevar a personagem e mostrar que, quando o roteiro permitia, ela era uma peça fundamental e poderosa dentro da equipe. É decisivamente uma personagem feminina forte, ainda mais em uma obra que escolhe, erroneamente, formar um elenco majoritariamente masculino.
E o veredito é…

Sendo bem sincera, Good Boy só vale a pena se você for muito fã do Park Bo Gum e quiser ver um lado da atuação dele que nunca foi explorado antes – mais físico, sujo e intenso – ou se você acompanhar fielmente algum outro nome do elenco de peso. Também é uma opção válida para quem não tem muita experiência com dramas policiais ou para aqueles dias em que você só quer “desligar o cérebro” e ver cenas de ação sem se preocupar. Não chega a ser ruim, mas nem de longe é um dos melhores no gênero.
Apesar do esforço dos atores e da produção, o roteiro é o grande ponto fraco. Se você busca uma trama policial inteligente, com estratégia e pés no chão, ou até mesmo que misture uma comédia e romance em meio a casos policiais, Good Boy pode te frustrar. Antes de dar o play, devo alertar que existem dramas do gênero muito mais consistentes e superiores por aí, como Signal, Live, Life On Mars, Beyond Evil (mas esse puxa para um lado mais sombrio e não tão cômico), Stranger, Rookie Cooops, Undercover High School, You’re All Surrounded ou até o recente Bloodhounds (se você busca ação técnica de verdade). E mesmo não sendo de polícia, um com proposta de comédia e vilão que estreou no mesmo ano e dialoga com Good Boy e se mostra melhor é Study Group.
No fim das contas, o drama é um espetáculo visual que tropeça na própria escrita. Assista pela curiosidade de ver o elenco em novos papéis e pela adrenalina das lutas, mas saiba que, em termos de narrativa, você encontrará opções muito mais ricas no catálogo de dramas policiais coreanos.