A Muse: Motivos pelos quais o filme é problemático
Lançado em 2012 e dirigido por Jung Ji Woo, A Muse (Eungyo) é frequentemente lembrado por sua estética delicada, fotografia sensível e pela atuação elogiada de Kim Go Eun em seu papel de estreia.
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No entanto, por trás da aura poética e da recepção crítica positiva, o longa também levanta debates importantes, especialmente quando analisado sob uma perspectiva contemporânea.
Mas afinal, por que A Muse é considerado problemático por parte do público?
1. A romantização de uma relação desigual
Um dos principais pontos controversos do longa é a relação entre um poeta idoso, na casa dos 70 anos, e uma adolescente do ensino médio. Embora o filme tente enquadrar o vínculo como uma conexão artística e emocional, a diferença gritante de idade e poder torna impossível ignorar o desequilíbrio presente. A narrativa flerta com a ideia de que a jovem seria uma “musa” inocente que desperta sentimentos profundos no poeta, mas essa dinâmica pode ser vista como uma romantização de uma relação eticamente questionável. A juventude da protagonista não é apenas um detalhe, é o centro do desejo e da obsessão masculina.
2. A objetificação da personagem feminina
Eungyo é constantemente retratada através do olhar masculino. Sua juventude, corpo e ingenuidade são explorados como símbolos de pureza, vitalidade e inspiração criativa. No entanto, pouco sabemos sobre seus próprios desejos, ambições ou conflitos internos. Isso levanta críticas sobre como o filme posiciona a jovem não como sujeito de sua própria história, mas como objeto de contemplação, uma ferramenta narrativa para explorar a crise existencial dos homens ao seu redor.
3. O fetichismo da juventude
O filme constrói um forte contraste entre juventude e velhice, quase tratando a juventude como algo a ser consumido ou apropriado. A ideia de que a energia jovem pode “reviver” ou inspirar homens mais velhos é uma fantasia recorrente na literatura e no cinema, e A Muse mergulha profundamente nessa metáfora. Para alguns, isso ultrapassa o limite artístico e entra no território do fetichismo, reforçando narrativas problemáticas sobre desejo, poder e gênero.
4. Arte x responsabilidade
Defensores do filme argumentam que A Muse não está necessariamente celebrando a relação, mas sim expondo o desconforto, a obsessão e a decadência emocional do poeta. De fato, a obra pode ser interpretada como uma crítica à idealização masculina da juventude. Ainda assim, surge a questão: até que ponto a intenção artística justifica a representação de dinâmicas potencialmente prejudiciais? Especialmente quando há nudez e cenas sensíveis envolvendo uma personagem menor de idade?
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