A Good Day to Be a Dog: vale a pena assistir à romcom em que uma mulher se transforma em um cachorro?
Depois de anos acompanhando romances de fantasia com seres milenares e maldições pesadas, em 2023 o público foi pego de surpresa com a estreia de A Good Day to Be a Dog. A promessa era inusitada e refrescante: uma mulher que se transforma em cachorro ao beijar alguém e precisa de um segundo beijo do mesmo homem – que tem pavor de cães – para quebrar o feitiço..
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Os fãs do webtoon, obra original que o drama foi adaptado, aguardavam ansiosamente a versão para k-dramas. Assim, o drama despertou curiosidade imediata ao adaptar um webtoon de sucesso e escalar Cha Eun Woo e Park Gyu Young para dar vida a essa premissa solar e excêntrica. Mas fica a pergunta: será que o k-drama conseguiu sustentar sua fofura inovadora até o fim ou se perdeu em meio aos latidos e flashbacks?
Vamos conversar!
Uma história de segredos, medos e transformações

Hae Na é uma professora carismática que carrega o pior pesadelo de sua linhagem: uma maldição familiar que a transforma em uma cachorrinha todas as noites, da meia-noite às seis da manhã, caso beije um homem. Sua vida vira de cabeça para baixo quando, em um momento de embriaguez, ela beija acidentalmente Jin Seo Won, um colega de trabalho reservado que, para seu azar, possui um trauma profundo e pavor de cachorros.
A jornada de Hae Na torna-se uma missão de “sedução canina”: ela precisa convencer Seo Won a beijá-la enquanto ela está em sua forma de cachorro para quebrar o feitiço. O que começa como uma sucessão de situações hilárias e embaraçosas acaba se tornando uma descoberta mútua de vulnerabilidades. A pergunta que dirige tudo: como curar o medo de quem você mais precisa de ajuda?
Onde o drama tropeça…

1. O cronograma de exibição e as recapitulações exaustivas
Um dos maiores inimigos deste drama foi sua própria exibição. O esquema de um episódio por semana (com várias interrupções) quebrou o ritmo narrativo. Para compensar o tempo longe do público, cada episódio começava com resumos longos e repetitivos. Assistir em formato de maratona ajuda, mas a sensação de que a história está “enchendo linguiça” com cenas que acabamos de ver ainda persiste.
2. Furos no roteiro e inconsistências da maldição
Embora a premissa seja fantástica, o drama falhou em manter suas próprias regras. Em certas cenas, a protagonista volta à forma humana sem roupas (como estabelecido), mas no momento crucial da quebra da maldição, ela aparece magicamente vestida. Essa falta de critério técnico quebra a imersão de quem busca uma mitologia coerente, parecendo apenas uma conveniência para evitar momentos constrangedores.
3. O melodrama arrastado do “Deus da Montanha”
O que começou como uma comédia romântica leve e satírica acabou se perdendo em um melodrama de época pesado na segunda metade. A trama do espírito da montanha e sua vingança milenar ocupou um tempo de tela precioso, introduzindo um vilão cujas motivações parecem infantis e cruéis demais, o que destoa completamente do frescor inicial da série .Para sustentar o melodrama da segunda metade, a narrativa passou a usar flashbacks da era Joseon de forma repetitiva e mal introduzida. Em vez de enriquecer a história, essas cenas interrompiam o fluxo do romance moderno, tornando a narrativa cansativa. Muitas vezes, o espectador era forçado a ver a mesma cena trágica do passado várias vezes, o que tirou o impacto emocional do mistério.
4.O arco da amnésia e o looping narrativo
Perto do final, o roteiro utilizou o clichê da perda de memória para gerar conflito artificial. Isso forçou o casal a repetir dinâmicas que o público já tinha visto, tornando a experiência cansativa. O que poderia ser um desfecho emocionante sobre superação de traumas acabou se tornando uma espera burocrática pelo final feliz óbvio. Além disso, as resoluções convenientes quanto ao conflito principal da trama no final deixaram a impressão que a maior parte do potencial da trama foi desperdiçado.
5. Tramas secundárias mal desenvolvidas
Houve um desperdício de potencial com o elenco de apoio. Personagens intrigantes, como a estudante que era a reencarnação da amada do passado, tiveram seus mistérios explicados de forma superficial. Muitas linhas narrativas foram deixadas de lado ou encerradas de forma apressada para focar em flashbacks repetitivos que testaram a paciência do espectador.
O que o drama tem de especial?

1. A química fofa do casal principal
Park Gyu Young e Cha Eun Woo entregam um romance que mistura de timidez, respeito e uma tensão crescente que culmina em cenas de beijo sinceras e momentos fofinhos e bonitinhos de aquecer o coração. É revigorante ver um casal que constrói uma parceria baseada na cumplicidade e na vulnerabilidade mútua.
2. O tom leve, divertido e “conforto” da história
O K-drama abraça o absurdo com um humor visual inteligente e cores suaves. É uma história que prioriza o bem-estar do espectador, oferecendo um refúgio de doçura e risadas. Ver a protagonista tentando estragar situações clichês ou lidar com sua forma canina garante momentos genuinamente divertidos. O que traz esse tom leve e divertido para a história.
3. Um protagonista masculino doce
O drama brilha ao colocar Jin Seo Won como um protagonista que admite medos “bobos” e permite ser cuidado. Ele é a personificação da gentileza, respeitando a autonomia de Hae Na em todos os momentos. Ver um protagonista masculino que não precisa de agressividade para ser marcante é um dos pontos mais especiais e modernos da obra.
4. A representação da superação de traumas de forma suave
Mesmo que use uma maldição fantasiosa, o dorama toca em temas reais: como o medo pode nos paralisar e como o apoio de alguém que amamos é fundamental para superá-lo. Tratar de fobias e traumas dentro de uma estética colorida e com cachorros fofos foi uma escolha corajosa que permitiu abordar o assunto de forma leve e envolvente.
5. Bônus: para quem ama pets, pode ser muito fofinho!
Temos desde a protagonista em sua versão “poodle de estimação” – que é tão carismática que você quase esquece que ela é humana – até uma legião de outros cães que aparecem e roubam a cena. É possível rir com as situações em que ela, na forma canina, tenta agir como gente, ou se emocionar com o carinho genuíno que os bichinhos despertam nos personagens. É um festival de rabinhos abanando, patinhas e momentos tão fofos que funcionam como uma verdadeira terapia visual. Prepare o coração, porque a vontade de adotar cada um deles é real!
E o veredito é…

Se você busca algo para “desligar o cérebro” e se encantar com momentos fofos, os episódios iniciais e as cenas de romance fofas aquecem o coração. No entanto, esteja preparado para um roteiro que se perde e se torna arrastado com o toque melodramático.
Não é um drama que mexe com os corações ou que causa grandes emoções, na maior parte do tempo, ele é morno. Mas não chega a ser terrível, só falta um tempero especial que perde muito com o desenvolvimento.
Não chega a ser perfeito, mas é uma doçura sim. Se ainda está com vontade de assistir, veja se tiver muito tempo disponível, pelos cachorrinhos, pela fofura e pela mensagem de que o amor pode nos ajudar a enfrentar nossos maiores medos, mas saiba que o caminho até o final feliz pode ser um pouco longo demais.