Primeiras Impressões do kdrama Love in Disguise/ Amor disfarçado
Antes de falar um pouquinho sobre o que achei dos dois primeiros episódios de Love in Disguise e, claro, contar para vocês se vale a pena dar play e acompanhar os próximos lançamentos, vou apresentar brevemente a história. Afinal, temos um assassinato, um herdeiro cheio de peculiaridades e uma detetive que precisa se disfarçar de homem para cumprir sua missão. Já dá para imaginar a confusão que vem por aí, né?
Love in Disguise, ou Amor Disfarçado, é um drama sul-coreano do Prime Video, adaptado do webtoon Why Don’t You Know It’s a Girl?. A trama acompanha Kang Jae Hee (Seol In Ah), uma detetive durona que se disfarça de homem para investigar um assassinato. Durante a missão, ela acaba se tornando secretária pessoal de Yoon Yi-jun (Im Si Wan), um poderoso herdeiro e um dos principais suspeitos do crime. O que deveria ser apenas uma investigação acaba se tornando uma experiência bastante peculiar quando ela precisa conviver diariamente com alguém que, além de despertar suas suspeitas, parece fazer questão de testar sua paciência.
A primeira coisa que me chamou a atenção no episódio de estreia foi a inversão dos papéis que a história constrói em torno dos protagonistas. Enquanto Jae Hee apresenta uma aparência e comportamentos socialmente associados à masculinidade, o que facilita seu disfarce, Yi-jun segue justamente o caminho inverso. Ele age como uma verdadeira princesa arrogante e mimada, com comportamentos dignos de uma diva que cresceu em um castelo, seja pela preocupação com a aparência, pela delicadeza dos gestos ou pelo tom de voz.
É justamente esse contraste que torna a dinâmica dos dois tão interessante. A Dramaland já explorou inúmeras vezes a ideia de uma mulher que se disfarça de homem, Por exemplo, Coffee Prince é um dos títulos que logo me vêm à cabeça quando penso nessa premissa. Por isso, o que me chama a atenção em Love in Disguise não é necessariamente a originalidade da situação inicial, mas a maneira como a produção também brinca com as expectativas de masculinidade que costumam acompanhar os protagonistas masculinos.
O drama utiliza estereótipos sobre o que consideramos masculino ou feminino para construir essa inversão. Gestos, aparência e tom de voz influenciam a maneira como percebemos os personagens, embora essas características não pertencem naturalmente a um gênero. Acho interessante quando uma produção consegue brincar com essas expectativas e dar personalidade aos protagonistas sem depender apenas de uma fórmula conhecida.
E, se é para falar de personagens que conseguem se destacar pelos detalhes, Yi-jun merece um destaque especial. Ele carrega aquela arrogância e frieza tão comuns entre os herdeiros dos K-dramas, mas apresenta peculiaridades que o tornam diferente. Seu jeito de falar consegue ser insuportável na medida certa (me irritou demais), e existe algo quase teatral na maneira como se comporta, como se estivesse sempre tentando controlar tudo ao seu redor.
Eu definitivamente tenho uma queda por personagens não convencionais! Kkkkk. Gosto quando alguém consegue despertar sentimentos contraditórios, porque, ao mesmo tempo que determinadas atitudes me irritam, fico curiosa para entender o que existe por trás delas. Yi-jun me provocou justamente essa sensação. Em alguns momentos, quero que alguém coloque um limite nesse homem; em outros, fico observando suas reações para tentar descobrir o que ele está escondendo.
O segundo episódio já começa a desconstruir um pouco aquela imagem de frieza absoluta dele. Os pesadelos frequentes relacionados ao assassinato sugerem que o ocorrido o afeta de maneira mais profunda do que ele demonstra. Ainda é cedo para afirmar qualquer coisa, mas começo a pensar que sua arrogância pode funcionar como uma armadura, uma maneira de manter as pessoas afastadas e evitar que percebam suas fragilidades.
A tentativa de criar uma atmosfera de mistério também funciona bem. A história começa com Yi-jun na cena do crime de sua secretária, sendo acusado de tê-la matado, e nos conduz a observar suas atitudes com desconfiança. Mas, como eu sabia que estava assistindo a uma comédia romântica, não tinha muitas dúvidas de que provavelmente ele não seria o verdadeiro culpado. Kkkkk. É aquela situação em que a gente tenta entrar no clima da investigação, mas uma parte do cérebro já está pensando: será que vão mesmo colocar o protagonista como assassino?
Brincadeiras à parte, acredito que exista alguém querendo Yi-jun morto. Não vou me arriscar a elaborar teorias mirabolantes porque sou péssima nisso e prefiro deixar essa tarefa para vocês. Mas quero descobrir se alguém está tentando incriminá-lo, quem poderia estar por trás disso e se os próprios parentes dele têm alguma participação nessa história.
Jae Hee também tem suas próprias questões. Por trás da postura durona e da determinação em cumprir a missão, percebemos inseguranças relacionadas ao passado, à experiência militar e à sensação de não ser competente o suficiente. Ela precisa sustentar uma identidade que não corresponde a quem realmente é, mas também parece estar tentando lidar com dificuldades que vão muito além do disfarce.
Essa construção me interessa porque a personagem não se resume às situações engraçadas provocadas pela troca de identidade. Assim como Yi-jun, ela também tem suas vulnerabilidades, embora tente escondê-las de maneiras diferentes. Fico curiosa para descobrir como essas questões serão desenvolvidas e de que forma a convivência entre os dois poderá mudar a maneira como enxergam a si mesmos e um ao outro.
Aliás, esses dois episódios me deram a impressão de que Yi-jun já pode estar desconfiando de que Jae Hee é uma mulher, se é que ainda não descobriu. Ele parece bastante atento aos detalhes, e isso deixa a dinâmica ainda mais interessante. Existe uma diferença entre um personagem simplesmente cair em um disfarce e outro perceber que alguma coisa não se encaixa. Quero descobrir até que ponto ele já desconfia da verdadeira identidade da secretária e como pretende lidar com isso.
Outro ponto que me agradou foi a química entre os protagonistas. Os dois têm aquela dinâmica de gato e rato, em que vivem se estranhando, mas acabam se envolvendo em situações que aproximam os personagens. O drama conseguiu arrancar de mim risadas genuínas, principalmente no segundo episódio, e boa parte da graça vem justamente do contraste entre a personalidade combativa de Jae Hee e o jeito peculiar de Yi-jun.
Uma das cenas que mais me divertiu foi aquela em que ela o segura como se ele fosse uma donzela em perigo. Kkkkk. E, preciso dizer, que físico é esse do Si Wan? Kkkkkkk. Brincadeiras à parte, gosto quando uma história brinca com a ideia de que o homem precisa ser sempre aquele que protege e a mulher, a pessoa que precisa ser salva. Aqui, a dinâmica se inverte, e Yi-jun parece até desejar ocupar esse lugar, o que torna tudo ainda mais engraçado.
Também gostei das atuações de Seol In Ah e Im Si Wan. Os dois parecem ter se encaixado bem nos personagens, transmitindo suas peculiaridades por meio das expressões, dos gestos e das pequenas reações. Como não li o webtoon original, não consigo fazer uma comparação direta, mas os protagonistas me passam a impressão de terem saído das páginas de uma história em quadrinhos. Espero que a produção continue aproveitando essa sintonia ao longo dos episódios.
O ritmo também me agradou. Mesmo com um assassinato e uma investigação no centro dos acontecimentos, a narrativa consegue abrir espaço para a comédia romântica sem deixar a trama pesada. Por enquanto, os gêneros se complementam de maneira natural, sem que um pareça atrapalhar o desenvolvimento do outro. Espero que esse equilíbrio continue, porque considero essa uma das maiores dificuldades dos K-dramas que misturam mistério, investigação e romance.
Os personagens secundários também são carismáticos e despertaram minha curiosidade. Ainda quero conhecer melhor cada um deles e entender como se encaixam na história, mas fiquei particularmente interessada no possível romance entre o amigo de Yi-jun e outra funcionária. Gosto quando a produção oferece espaço para outras relações, desde que elas também tenham um desenvolvimento interessante.
Enfim, para finalizar, Love in Disguise me fez pensar que talvez essa seja, de fato, uma história sobre disfarces, não apenas no sentido literal da palavra. Jae Hee se disfarça de homem para cumprir sua missão, mas também parece carregar questões relacionadas ao próprio passado, aos traumas de sua experiência no exército e à sensação de incompetência que a acompanha. Já Yi-jun, por trás de toda aquela arrogância e de seus comportamentos peculiares, parece usar a própria postura como uma forma de se proteger, de fugir daquilo que o machuca e de se manter distante dos outros. Os sinais de vulnerabilidade apresentados nesses episódios me fazem pensar que sua personalidade pode esconder muito mais do que aparenta.
Será que esses dois personagens não são, cada um à sua maneira, pessoas que escondem seus verdadeiros sentimentos atrás de camadas de insegurança e desconfiança? Acredito que sim, e estou bastante ansiosa para descobrir o que existe por trás dessas máscaras. Afinal, Jae Hee precisa sustentar uma identidade que não corresponde a quem realmente é, enquanto Yi-jun parece construir uma imagem de si mesmo que dificulta qualquer tentativa de aproximação. Eles partem de situações diferentes, mas talvez compartilhem uma dificuldade em comum: permitir que os outros enxerguem aquilo que existe para além das aparências.
E acho que é justamente aqui que a premissa de Love in Disguise pode encontrar sua camada mais interessante. Para além das situações engraçadas e dos conflitos que surgem quando uma detetive se infiltra na vida de um herdeiro suspeito de assassinato, existe a possibilidade de uma história sobre identidade, vulnerabilidade e a maneira como nos apresentamos ao mundo. O que escolhemos mostrar? O que escondemos por medo de sermos julgados? E até que ponto a imagem que construímos de alguém corresponde àquilo que essa pessoa realmente é? Não espero necessariamente que o drama transforme todas essas questões em grandes reflexões ou abandone o tom leve que apresentou até aqui, mas que permita que elas apareçam por meio das fragilidades dos personagens.
Depois desses dois primeiros episódios, minhas impressões são positivas. Fiquei curiosa para descobrir quem está por trás do assassinato, quais segredos Yi-jun esconde e como essa relação cheia de provocações vai se transformar em romance. Ainda é cedo para saber se a produção conseguirá desenvolver todas essas possibilidades, mas, por enquanto, Love in Disguise me deixou com vontade de continuar assistindo. Agora quero ver até onde esses dois personagens, tão diferentes à primeira vista, serão capazes de chegar quando começarem a baixar a guarda.