Meow, the Secret Boy: Vale a pena dar uma chance para esse romance felino?
O público dorameiro foi apresentado em 2020 a uma proposta, no mínimo, inusitada: e se o seu gato de estimação pudesse se transformar no homem dos seus sonhos? A premissa de Meow, the Secret Boy (também conhecido como Welcome) trouxe a adaptação de um webtoon com uma estética adorável, mas que rapidamente dividiu opiniões.
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O drama despertou curiosidade ao escalar o idol e ator Kim Myung Soo (L) para um papel extremamente desafiador, interpretando um gato em forma humana, ao lado da carismática e talentosa, Shin Ye Eun. Mas fica a dúvida: essa história consegue sustentar sua doçura até o fim ou acaba se tornando um novelo de lã embaraçado?
Vamos conversar!
Uma história sobre humanos, gatos e o tempo

Kim Sol Ah é uma designer de webtoons que mantém uma relação de amor e ódio com o universo felino. Para ela, as pessoas se dividem entre “estilo cachorro” (leais e abertas) e “estilo gato” (independentes e misteriosas). Sua vida vira de cabeça para baixo quando ela acaba adotando Hong Jo, um gato branco que pertenceu ao seu antigo amor não correspondido, Jae Seon.
O que ela não imagina é que Hong Jo tem a habilidade especial de se transformar em humano quando está perto dela. Enquanto Sol Ah acredita estar dividindo a casa com um “meio-irmão” desconhecido, ela começa a desenvolver sentimentos por esse rapaz, ops, gato gentil e silencioso. A trama gira em torno de uma pergunta curiosa: o amor pode transcender a própria espécie e as barreiras do tempo?
Onde o drama tropeça…

1. O ritmo arrastado e o enredo fraco
A narrativa, que começa com um frescor de conto de fadas, perde o fôlego rapidamente. O que poderia ser uma exploração divertida da natureza humana e felina acaba caindo em um looping de cenas cotidianas que não levam a lugar nenhum. A história se torna entediante do meio para o fim, exigindo paciência para não abandonar a maratona. Para um público que busca romances mais maduros ou fantasias com regras bem estabelecidas, Meow, the Secret Boy pode parecer um livro infantil que foi estendido demais para o formato série. Para compensar a falta de história para preencher os episódios, o drama abusa de flashbacks de cenas que o espectador acabou de ver.
2. Desperdício de temas profundos sobre a causa animal
O drama chega a tocar em pontos interessantes, como o funcionamento de abrigos, eutanásia e o abandono de animais idosos, mas nunca mergulha de verdade neles. Esses temas aparecem apenas como pano de fundo para o romance, perdendo a oportunidade de ser uma obra com maior impacto social e educativo sobre os direitos dos animais, preferindo manter-se na superfície da “fofura”.
3. A perda de identidade entre a comédia e o melodrama
O drama sofre de uma crise de identidade narrativa. Ele começa como uma comédia romântica bobinha e leve (estilo conto de fadas), mas, de repente, tenta se levar a sério demais com o melodrama sobre a morte e a natureza efêmera da vida. Essa transição brusca desapontou quem buscava apenas um entretenimento para relaxar, tornando os episódios finais pesados e, paradoxalmente, entediantes. Às vezes o drama se torna excessivamente bobo também.
4. Vilões genéricos e conflitos superficiais
O drama tenta inserir antagonistas ou situações de perigo (como o capturador de gatos ou a ex-namorada de Jae Seon) apenas para criar movimento na trama. No entanto, esses “vilões” são unidimensionais e acabam sendo derrotados de forma tão simples que o espectador não sente uma ameaça real. Isso faz com que os obstáculos pareçam meras conveniências para esticar o roteiro.
5. A falta de desenvolvimento do Hong Jo humano
Embora L faça um bom trabalho nos trejeitos felinos, o roteiro deu pouco espaço para o desenvolvimento da personalidade de Hong Jo como homem. Ele passa a maior parte do tempo sendo apenas o interesse amoroso dedicado, sem sonhos, desejos próprios ou uma jornada de adaptação ao mundo humano que fosse além de “esperar pela Sol Ah”. Essa falta de profundidade o deixa um pouco vazio como protagonista. Do outro lado, embora Sol Ah, a protagonista feminina, seja carismática, sua personagem muitas vezes beira a ingenuidade excessiva. O fato de ela demorar tanto para perceber o que está acontecendo à sua volta – e aceitar situações absurdas sem questionar – acaba testando a paciência do espectador.
O que o drama tem de especial?

1. Um romance fofinho
O amor entre Sol Ah e Hong Jo é construído na base da presença e do apoio mútuo. É um romance inocente, focado no carinho e na lealdade, que foge de dramas pesados para focar na doçura das interações simples e se torna por isso um tanto fofinho. Isso contribui para o ar leve que a história carrega em uma parcela do tempo.
2. A química entre os protagonistas masculinos
Curiosamente, um dos pontos mais divertidos do drama é a amizade relutante entre o gato Hong Jo e o humano Jae Seon. As interações entre os dois – que começam com desconfiança e evoluem para uma cumplicidade silenciosa – geram momentos de humor e conforto. Ver dois personagens tão diferentes se unindo pelo cuidado com a protagonista é gratificante.
3. O gato ator
Diferente de outras produções que pesam a mão em efeitos digitais, Meow usou um gato real na maior parte do tempo, o que trouxe autenticidade. O CGI foi usado apenas como um suporte sutil para expressões que um animal não conseguiria fazer, mantendo a fofura natural e evitando que as cenas de transformação ficassem bizarras ou artificiais. Para quem gosta de gatos, isso é um ponto forte para assistir.
4. Lições sobre o “Viver o Agora”
Apesar do tom melancólico do final, o drama deixa uma mensagem bonita sobre a valorização do tempo. Através da perspectiva do gato, somos lembrados de que a vida é feita de momentos simples: esperar por alguém, um abraço ou um sorriso. Essa filosofia de “carpe diem” serve como um lembrete gentil para desacelerarmos nossas vidas agitadas.
E o veredito é…

Por um lado, Meow, the Secret Boy pode atrair quem busca um roteiro inusitado e está genuinamente curioso com uma premissa que, por vezes, causa até certa estranheza ao retratar o romance entre uma humana e um gato em forma de gente. Se você se sente intrigado por essa dinâmica peculiar, talvez sinta que precisa conferir por conta própria para tirar suas conclusões, mas fica o aviso: talvez não valha tanto esforço iniciar a maratona apenas pela curiosidade do conceito.
No fim das contas, Meow se revela um drama morno. O que começa como uma fantasia curiosa acaba se tornando uma experiência cansativa devido ao ritmo e à falta de fôlego do roteiro. É uma obra que pode sim encantar corações que amam demais os felinos e buscam apenas um conforto visual, mas que falha em entregar uma narrativa sólida e envolvente.
De um ponto de vista mais pessoal, minha experiência tende muito mais para a não recomendação. Embora tenha seus momentos de doçura, a balança pesa negativamente quando olhamos para a execução da história como um todo e para a experiência arrastada de assisti-lo. Acredito que existam tramas de fantasia e romance muito melhores por aí, que conseguem equilibrar melhor a magia com a lógica e o desenvolvimento de personagens. Assista se você for um entusiasta incurável de gatos, mas saiba que, como entretenimento televisivo, ele deixa bastante a desejar.
Meow, the Secret Boy está disponível para ser assistido no Viki!