Vale a pena assistir ao k-drama Encounter?

Vale a pena assistir ao k-drama Encounter?

Estrelado por Song Hye Kyo e Park Bo Gum, o dorama Encounter entrou para a Netflix Brasil recentemente e, mesmo eu tendo assistido ele há alguns anos, creio que seja uma boa revisitar a história para os que estão em dúvida se assistem ou não. A obra traz uma proposta que pode parecer simples à primeira vista, mas que conquista pelo seu tom emocional e visualmente deslumbrante. Antes de mergulhar nas maratonas, vale a pena entender o que torna essa história um romance singular.

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Neste post, a ideia é olhar para a obra: entender sobre o que o drama fala, o que torna essa história tão especial e onde o drama tropeça. Além disso, quero conversar com vocês sobre uma dúvida comum: o ritmo lento e o estilo melodrama valem o investimento de tempo? E quais as nuances que tornam esse casal tão diferente dos clichês habituais?

Vamos conversar!

Quando o Sol encontra a Lua

“Entre uma infinidade de estrelas, uma olhou para mim. Entre uma multidão de pessoas, eu olhei para aquela estrela. Você, uma pessoa tão calorosa, e eu, uma tão terna. Onde, quando, como, nós dois… nos encontraremos de novo?” (Citação do episódio 16).

Essa frase resume bem a proposta da história. O drama é sobre um homem, Jin Hyuk, e uma mulher, Soo Hyun, que se encontram em Havana, Cuba, pela primeira vez. Ali, em um mundo distante de suas preocupações, eles estabelecem um breve, mas marcante encontro de viagem. Eles não poderiam imaginar que, ao voltarem para casa, novos encontros surgiriam.

Resumidamente, Encounter é sobre o vínculo entre duas pessoas de mundos opostos: ela é a CEO de uma rede de hotéis, divorciada, rica e cercada por uma família fria. Ele é um novo funcionário desse hotel, jovem, de origem simples e com uma família extremamente calorosa. Ela é o gelo, a lua; ele é o sol que começa a derreter suas camadas.

O que o k-drama Encounter tem de especial?

1. Uma metáfora linda entre o Sol e a Lua

Jin Hyuk e Soo Hyun são como o Sol e a Lua. Por muito tempo, a vida da protagonista foi solitária e fria, presa em um “castelo” de obrigações. Quando Jin Hyuk se aproxima, o brilho e o calor dele contagiam a vida dela. Assim como no eclipse, onde o impossível acontece, e o sol encontra a lua, o drama mostra que nenhum amor é totalmente proibido, apesar das “sinas” de separação que a vida impõe.

2. Um romance saudável e de libertação

O melhor da obra é acompanhar o romance entre dois personagens que, apesar de tão diferentes, se complementam. A relação é linda e saudável, focada no processo de libertação da personagem feminina e no amadurecimento mútuo. É um relacionamento baseado no respeito, onde a maioria dos problemas são superados com diálogo e presença.

3. A sutileza e potência das emoções de Soo Hyun

Embora muitos a achem “fechada” e a critiquem, a beleza da protagonista está na sutileza. Ela viveu uma vida reprimida, sempre colocando os outros em primeiro lugar. Essa serenidade externa esconde muitas inseguranças, que permite compreender suas emoções complexas e multifacetadas. É bonito ver como o Jin Hyuk consegue enxergar a essência dela, escalando as escadas do castelo onde ela estava presa com confiança e carinho.

4. A relação entre a fotografia e o tempo

A escolha de Havana como início da história é certeira: um lugar que é conhecido como a cidade que o tempo parou. A história do casal é marcada por recordações fotográficas, uma forma de “congelar o tempo” e observar as mudanças na protagonista. O drama é acompanhado pelos ponteiros de um relógio, reforçando a preciosidade de cada momento que passam juntos. Tudo isso marca essa relação preciosa que a obra estabelece com o tempo e como cada encontro está impregnado nele. 

5. Aborda temas sociais e reflexivos

Além do romance, o drama reflete sobre o papel da mulher divorciada na sociedade e o peso das expectativas impostas a ela. Aborda a interferência agressiva da mídia na privacidade, as amarras do dinheiro e do poder, a importância de um lar acolhedor e como um breve encontro com a pessoa certa pode modificar o destino de alguém. Encounter nos ensina que um encontro pode ser um evento brilhante e transformador. Mostra como um breve momento ao lado de alguém, quando carregado de boas energias, tem o poder de iluminar um dia ruim ou até mudar o rumo de uma vida. O drama revela a preciosidade de cada aproximação e a importância de preencher nossos instantes com memórias boas, como se pudéssemos congelar o tempo e criar um refúgio de felicidade para onde sempre possamos voltar.

6. Estética e sensibilidade

Não há adjetivo melhor para descrever a obra do que “lindo”. Desde as cenas em Cuba até os diálogos de beleza ímpar, tudo é carregado de sensibilidade. Existe poesia na forma que a obra se delineia. A fotografia, a trilha sonora e as atuações são impecáveis. O diretor faz um trabalho incrível ao mostrar emoções sem palavras, através de um gesto sutil da mão ou um olhar.

7. Inversão de clichês tradicionais

Um ponto muito positivo é a inversão do clichê do homem rico e da mulher pobre. Encounter subverte a história da Cinderela em quase todos os elementos, trazendo um frescor para quem já está cansado das fórmulas repetitivas dos doramas de romance. Aqui, temos uma mulher forte e independente como central. Mas, além disso, não é porque subverte cllichês que a trama seja sem eles, eles estão lá sim, mas abordados de maneira diferente em muitos casos. A abordagem melancólica, o clima realista e a sutileza ganham preponderância diante deles .

8. Um drama que é para ser apreciado vagarosamente

O drama possui um ritmo de contagem lento. Não necessariamente o desenvolvimento do casal, mas a própria maneira como a narrativa é construída. Não é uma história para maratonar desesperadamente em um dia; e muitas pessoas colocam isso como um ponto negativo ou tropeço. Para mim, não é, se trata de um melodrama, então a lentidão está na característica do genêro. Para além disso, Encounter parece que nos obriga (e isso é positivo) apreciar a infinidade de detalhes que ele oferece como um aconchego, um abraço quentinho em meio ao inverno frio ou um encontro caloroso em meio uma vasta solidão.

9. BÔNUS: Um protagonista cativante

E devo dizer que… eu sou apaixonada por Jin Hyuk, ele é um dos meus personagens favoritos dos dramas. Ele é essa alma livre que ama poesia, livros e fotografia, e está sempre com uma atitude tão positiva e brilhante diante da vida. Sem masculinidade tóxica ou qualquer bandeira vermelha. Ele ama a protagonista de forma tão bonita e possui tantas falas maravilhosas.  Ele é essa injeção de coragem e amor pela vida e pelas pessoas.

Onde o drama tropeça

1. Personagens secundários que carecem de desenvolvimento

Este é talvez o ponto mais fraco. Os personagens secundários e antagonistas carecem de profundidade. Eles passam muito tempo falando sobre “causar estragos”, mas raramente fazem algo concreto, o que prejudica a tensão da história. O ex-marido, por exemplo, parece que terá um papel crucial, mas acaba sendo subutilizado pelo roteiro.

2. A reta final

A forma como a história se desenrola após o episódio 14 parece que decai um pouco. O motivo da separação tardia é fraco, e a angústia que surge no final faz com que o desfecho feliz do último episódio pareça curto demais para o telespectador que sofreu junto com o casal.

O que poderia ser melhor…

  • Vilões mais fortes: Os antagonistas poderiam ter sido mais explorados para impor uma ameaça real.
  • Profundidade nos secundários: Faltou dar mais camadas aos personagens que orbitam o casal principal.
  • Ritmo mais equilibrado: O terço final da história poderia ter sido menos arrastado e com resoluções mais orgânicas.
  • Final mais extenso: Um tempo maior de “felicidade” no último episódio para compensar o melodrama.

Então… vale a pena assistir Encounter?

Se você busca um romance “lindo”, poético, contemplativo e carregado de emoção, a resposta é sim, mil vezes sim!. É um drama para ser visto devagar, apreciando a fotografia e se aconchegando na doçura de Park Bo Gum (prepare o lenço, porque quando ele chora, a gente chora junto!) e toda a experiência em melodramas de Song Hye Kyo. As falhas são pouquissimas e a mensagem sobre a preciosidade dos encontros e a coragem de se abrir e amar fazem valer cada minuto. Minha dica é somente: você tem que estar no clima certo para assistir e ciente do ritmo da história.

Brenda Mendes

Historiadora, professora e criadora de conteúdo digital, está sempre em busca de uma nova história para desbravar e aquecer seu coração, apaixonada por doramas de romance e slice of life, é uma leitora ávida há mais de 10 anos.

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