Primeiras impressões do K-drama In Your Radiant Season (Na Sua Melhor Fase)

Primeiras impressões do K-drama In Your Radiant Season (Na Sua Melhor Fase)

In Your Radiant Season, ou Na Sua Melhor Fase, é um drama sul-coreano disponível no Disney+ que conta a história de Song Ha Ran, estilista-chefe da Nana Atelier, cuja imagem perfeita esconde uma profunda tristeza após a perda de entes queridos. Seu cotidiano começa a mudar quando ela conhece, por acaso, Sunwoo Chan, um designer de personagens de personalidade alegre, mas marcado por um passado misterioso. À medida que se aproximam, ambos são forçados a enfrentar dores e segredos que podem transformar suas vidas.

Neste post, vou contar o que achei dos quatro primeiros episódios disponíveis até agora. Prometo evitar grandes spoilers para quem ainda não assistiu. Vamos lá.

Eu tinha uma ideia pré-concebida de como seria In Your Radiant Season, mas os primeiros episódios jogaram tudo isso por terra. Pensei que seria uma história de perda de memória, em que um dos protagonistas não lembraria absolutamente nada do envolvimento deles no passado, mas o drama surpreende. O primeiro episódio constrói um caminho narrativo que, enquanto telespectadora, me enganou completamente e me deixou curiosa para entender como as peças se encaixavam. Afinal, qual era mesmo a ligação deles no passado? E como ela se tornou quem é no presente? Esses eram os questionamentos que me moviam.

O episódio inicial não é necessariamente acelerado, em alguns momentos, ele até parece confuso, justamente porque ainda estamos meio perdidos sobre o laço entre os dois. Mas existem pontos que chamam atenção logo de cara: como eles parecem ter se tornado o oposto do que eram. Ela, que no passado era radiante e alegre, surge no presente como uma mulher melancólica e vazia. Ele, antes depressivo e solitário, aparece agora como um rapaz extrovertido e sorridente. Parece que as personalidades foram trocadas e eu gostei muito dessa inversão. Fiquei me perguntando o que exatamente os transformou, mesmo já tendo uma vaga ideia. E o drama vai destrinchando isso aos poucos nesses quatro episódios. A narrativa não mantém a gente muito perdida por muito tempo, e não estendeu nada até agora para além do necessário. 

Se o primeiro episódio tem esse clima mais introdutório, foi no segundo que fui completamente conquistada. O plot me surpreendeu de verdade. Gostei de perceber que a história não caminhou para o lugar-comum do casal separado que simplesmente se reencontra. Ela inverteu minhas expectativas. Foi aí que fiquei ainda mais interessada em acompanhar a aproximação dos dois. A ideia de que o destino deles foi se entrelaçando em vários momentos, de que ela carregava partes dele sem saber e ele carregava partes dela também, me ganhou. Como se, de alguma forma, já estivesse escrito que eles precisam se cruzar.

Nesse sentido,a química de Lee Sung Kyunge Chae Jong Hyeop funciona de maneira delicada e envolvente ao mesmo tempo, ela é maravilhosa!. A cada tentativa de aproximação do personagem do Chae e a cada recuo, ou pequeno aceite, da personagem da Lee Sung Kyung, a gente se vê cada vez mais imerso na dinâmica deles. Parece que o drama nos dá a oportunidade de acompanhar duas pessoas se conhecendo lentamente. É como se estivéssemos conhecendo-os na mesma medida em que eles próprios se descobrem. Por isso, a cada episódio lançado, eu só fiquei mais derretida pelas conversas, pelas interações, pelas pequenas frases que fazem o telespectador surtar, como o simples “Então eu posso gostar de você?” ou “Vamos aproveitar como se fosse um piquenique”.

Eu também fiquei completamente apaixonada pelas analogias com as estações: primavera, inverno, verão e outono, e todos os simbolismos que a narrativa constrói. Estamos falando de uma história que acompanha uma protagonista saindo do inverno frio e solitário da própria vida. E, ao mesmo tempo, temos um protagonista que também esteve em seu próprio inverno. Quando ele entra na vida dela, começa a trazer novas perspectivas, um ar quase primaveril. O inverno é frio e solitário, mas, quando ganha companhia, começa a se transformar. A mudança na abertura, no último episódio exibido, em que a bonequinha que a representa caminha do inverno em direção a ele, que está na primavera, foi um detalhe tão fofo e simbólico. Ela aceita se aproximar, aceita se abrir. Fiquei ansiosa pelo momento em que o lado dela também se tornará primaveril.

Esse uso das estações reforça o clima de drama curativo que conversa diretamente com a gente. Afinal, quem nunca passou por um inverno na própria vida? Sair dele não é simples, mas a ideia de que pequenos passos podem tornar tudo mais suportável é reconfortante. O drama tem esse aconchego que faz a gente querer se demorar nele. Também amei o simbolismo da plantinha no vaso, que sofre com a mudança, quase murcha, mas depois volta a florescer, um reflexo claro da protagonista. A mensagem de que a vida chega sem aviso, bagunça tudo, mas também pode trazer coisas boas, é simples e bonita.

O que mais me anima é ver como Ha Ran, que prefere viver reclusa e evitar qualquer novidade por medo da perda, vai mudando sua forma de enxergar o mundo. O medo de se ferir novamente é tão real. E ter ao lado dela um personagem masculino que também já enfrentou perdas torna tudo mais significativo. Chan é extremamente querido. Na verdade, os dois são. Eles têm essa alma doce de quem já sofreu muito, mas escolhe preservar o que há de melhor. Ele escolhe sorrir. Ela, mesmo carregando tanto peso, ainda emana bondade e gentileza.

Também fiquei muito curiosa sobre os fragmentos de memória do Chan que ainda não conhecemos. O drama parece manter esse mistério sutil, deixando pistas sobre partes da história que nem nós, nem ele próprio, entendemos completamente. Já estou apreensiva, porque sinto que isso pode virar um plot futuro capaz de afastá-los, assim como o plot do segredo que ele esconde dela. E vale destacar: Chan é um personagem com deficiência auditiva, e o drama aborda isso de maneira sensível e bem integrada à narrativa.

Como se não bastasse os protagonistas serem cativantes, aconteceu algo raro: eu gostei de todos os personagens secundários. Ao que tudo indica, teremos dois casais secundários formados pelas irmãs dela. Nossa protagonista é a mais velha e tem mais duas irmãs, cada uma com seu possível par romântico. Confesso que já estou torcendo até pela avó com o senhorzinho do café também.

O interessante é que cada romance secundário tem uma energia diferente. A irmã do meio é caótica e extrovertida, enquanto o par dela é mais sério e calmo, o que promete algo no mínimo divertido. Já a irmã mais nova é doce e fofa com o namorado, entregando aquele romance mais açucarado. Mas não ficamos só no romance: o drama já dá indícios de que cada personagem carrega suas próprias questões. A irmã mais nova parece obcecada por encontrar um amaciante específico; avó enfrenta problemas que tenta esconder; e a irmã do meio, apesar da alegria constante, me passa a sensação de que ainda veremos camadas mais profundas ali. Pelo menos, eu espero.

Por fim, preciso falar da cinematografia desses quatro episódios. Está tudo muito bonito e aconchegante, do café onde a protagonista passa seus dias aos enquadramentos das interações do casal principal. Cada cena transmite exatamente a emoção necessária: melancolia, calor, conforto, expectativa. A trilha sonora também está no ponto certo, assim como as atuações.

Enfim, como é um texto de primeiras impressões, vou encerrar por aqui, não vou me alongar tanto falando tudo que poderia. Mas posso dizer que as mensagens da história já me conquistaram. A ideia de viver sem arrependimentos, de permitir que coisas boas aconteçam e de aceitar que a vida é feita de estações é inspiradora. O desenrolar doce do romance principal deixa o coração quentinho e ansioso ao mesmo tempo. Foram quatro episódios que me lembraram por que eu gosto tanto de k-dramas: eles têm essa capacidade de aquecer, emocionar e fazer a gente acreditar que, depois do inverno, a primavera sempre pode chegar. Agora que já estou completamente envolvida, só torço para que o drama continue crescendo e não perca essa delicadeza no caminho. Quando amo demais os episódios iniciais de um k-drama já fico apreensiva e com medo da narrativa se perder.

Brenda Mendes

Historiadora, professora e criadora de conteúdo digital, está sempre em busca de uma nova história para desbravar e aquecer seu coração, apaixonada por doramas de romance e slice of life, é uma leitora ávida há mais de 10 anos.

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